sexta-feira, 21 de junho de 2013

Orientações de Estudo para Provão/ Primeiros e Segundos

Meninos e Meninas estudem para o provão.

Origem da Filosofia

 A palavra Filosofia é grega. Philo deriva-se de philia que significa amizade, amor fraterno, respeito entre iguais. Sophia quer dizer sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio.

Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria , tem amizade pelo saber.
Atribui-se ao filósofo grego Pitágoras de Samos (que viveu no século V antes de Cristo) a invenção da palavra filosofia.

Nascimento da Filosofia

Os historiadores da Filosofia dizem que ela possui data e local de nascimento: final do século VII e início VI a.C, nas colônias gregas da Ásia menor ( particularmente as que formavam uma região denominada Jônia) ,na cidade de Mileto. E o primeiro filósofo foi Tales de Mileto.

A Filosofia também possui um conteúdo preciso ao nascer: é uma cosmologia. A palavra cosmologia é composta de duas outras: cosmos, que significa pensamento mundo ordenado e organizado, e logia, que vem da palavra logos, que significa pensamento racional, discurso racional, conhecimento. Assim, a Filosofia nasce como conhecimento racional da ordem do mundo ou da Natureza.


A Filosofia é Grega

A Filosofia entendida como aspiração racional, lógico e sistemático da realidade natural e humana, da origem e causas do mundo e das suas transformações, da origem e causas das ações humanas e do próprio pensamento, é um fato tipicamente grego.

Quando se diz que a Filosofia é um fato grego, o que se quer dizer é que ela possui certas características, apresenta certas formas de pensar e de exprimir os pensamentos, estabelece certas concepções sobre o que sejam a realidade, o pensamento, a ação, as técnicas, que são completamente diferentes das características desenvolvidas por outros e outras culturas.

Filosofia é um modo de pensar e exprimir os pensamentos que surgiu especificamente com os gregos e que, por razões históricas e políticas, tornou-se, depois o modo de pensar e de se exprimir predominantemente da chamada cultura européia ocidental da qual, em decorrência da colonização portuguesa do Brasil, nós também participamos.

Através da Filosofia, os gregos instituíram para o ocidente europeu as bases e os princípios fundamentais do que chamamos razão, racionalidade, ciência, ética, política, técnica, arte.


O legado da Filosofia grega para o Ocidente europeu


Por causa da colonização européia das Américas, nós também fazemos parte - ainda que de modo inferiorizado e colonizado - do ocidente europeu e assim também somos herdeiros do legado que a Filosofia grega deixou para o pensamento ocidental europeu.

Desse legado, podemos destacar como principais contribuições as seguintes:


·         A idéia de que a natureza opera obedecendo a leis e princípios necessários e universais, isto é, os mesmos em toda parte e em todos os tempos. Assim, por exemplo, graças aos gregos, no século XVII da nossa era, o filósofo inglês Isaac Newton, estabeleceu a lei da gravitação universal de todos os corpos da Natureza.

·         A idéia de que as leis necessárias e universais da Natureza podem ser plenamente conhecidas pelo nosso pensamento, isto é, não são conhecimentos misteriosos e secretos que precisam se revelados por divindades, mas são conhecimentos que o pensamento humano, por própria força e capacidade pode alcançar.

·          A idéia de que nosso pensamento também opera obedecendo a leis, regras e normas universais necessárias, segundo as quais podemos distinguir o verdadeiro do falso. Em outras palavras, a idéia de que o nosso pensamento é lógico ou segue leis lógicas de funcionamento.

·         A idéia de que as práticas humanas, isto é, a ação moral, a política, as técnicas e as artes dependem da vontade livre da deliberação e da discussão, da nossa escolha passional (ou emocional) ou racional, de nossas preferências, segundo certos valores e padrões, que foram estabelecidos pelos próprios seres humanos e não por imposições misteriosas e incompreensíveis, que lhes teriam sido feitas por forças secretas, invisíveis, sejam elas divinas ou naturais, e impossíveis de serem conhecidas.

·          A idéia que os acontecimentos naturais e humanos são necessários, porque obedecem a leis naturais ou da natureza humana, mas também podem ser contingentes ou acidentais,quando dependem das escolhas e deliberações dos homens,em condições determinadas.

·         A idéia de que os seres humanos, por natureza, aspiram ao conhecimento verdadeiro, à felicidade, à justiça, isto é, que os seres humanos não vivem nem agem cegamente, mas criam valores pelos quais dão sentido às suas vidas e às suas ações.


Mito e Filosofia


Mito é a narrativa sobre a origem de alguma coisa (origem dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos ventos, do bem e do mal, da saúde e da doença, da morte, dos instrumentos de trabalho, das raças, das guerras, do poder, etc.).

A palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: do verbo mytheyo (contar, narrar, falar alguma coisa para outros) e do verbo mytheo (conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados. Quem narra o mito? O poeta-rapsodo. Quem é ele? Por que tem autoridade? Acredita-se que o poeta é um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa transmiti-la aos ouvintes. Sua palavra – o mito – é sagrada porque vem de uma revelação divina. O mito é, pois, incontestável e inquestionável.

Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe?

De três maneiras principais:

1.    Encontrando o pai e a mãe das coisas e dos seres, isto, é tudo o que existe decorre de relações sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses os titãs (seres semi-humanos e simidivinos),os heróis( filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano),os humanos,os metais, as plantas ,os animais,as qualidades,como quente-frio,seco-úmido,claro-escuro,bom-mal,justo-injusto, belo-feio, certo-errado, etc.
A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, narrativa da geração dos seres, das coisas, das qualidades, por outros seres, que são seus pais ou antepassados.


2.    Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre deuses que faz surgir alguma coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra ou uma guerra entre as forças divinas, ou uma aliança entre elas para provocar alguma coisa mo mundo dos homens.

3.    Encontrando as recompensas ou castigos que deuses dão a quem os desobedece ou a quem os obedece.


O Mito, portanto, narra à origem das coisas por meio de lutas, alianças sexuais entre forças sobrenaturais que governam o mundo e o destino dos homens. Como os mitos sobre a origem do mundo são genealogia, diz-se que são cosmogonias¹ e teogonias ².


Quais são as diferenças entre Filosofia e mito?

Podemos apontar três como as mais importantes:

  1. O mito pretendia narrar como as coisas eram ou tinham sido no passado imemorial, longínquo e fabuloso, voltando-se para o que era antes de tudo existisse tal como existe no presente. A Filosofia , ao contrário, se preocupa em explicar como e porque, no passado, no presente e no futuro (isto é, na totalidade do tempo), as coisas são como são;
  2. O mito narrava a origem através de genealogias e rivalidade ou alianças entre forças divinas sobrenaturais e personalizadas, enquanto a Filosofia , ao contrário, explica a produção natural das coisas por elementos e causas naturais e impessoais.
  3. O mito não se importava com contradições, com o fabuloso e o incompreensível, não só porque esses eram traços próprios da narrativa mítica, como também porque a confiança e a crença no mito vinham da autoridade religiosa do narrador. A Filosofia, ao contrário, não admite contradições, fabulação e coisas incompreensíveis, mas exige que a explicação seja coerente, lógica e racional: além disso, a autoridade da explicação não vem da pessoa do filósofo, mas da razão, que é mesma em todos os seres humanos.


Condições históricas para o surgimento da filosofia:

As viagens marítimas, a invenção do calendário, a invenção da moeda, o surgimento da vida urbana, a invenção da escrita alfabética e a invenção da política que introduz três aspectos novos a e decisivos para o nascimento da Filosofia; que são eles:
A idéia da lei como expressão da vontade de uma coletividade humana que decide por si mesma o que é melhor para si e como ela definirá suas relações internas; o surgimento de um espaço público ( a polis) que faz aparecer um novo tipo de palavra ou discurso , diferente daquele que era proferido pelo mito; a palavra agora como direito de cada cidadão de emitir em público sua opinião  e discuti-la. O discurso político como a palavra humana compartilhada, como diálogo, discussão e deliberação humana, isto é, como decisão racional. A política estimula um pensamento e um discurso que não procuram ser formulados por seitas secretas dos iniciados em mistérios sagrados, mas que procuram ,ao contrário ,ser públicos, ensinados, transmitidos, comunicados e discutidos.



Os períodos da Filosofia Grega:

  1. Período pré-socrático ou cosmológico, do final século VII ao final do século V a.C. quando a Filosofia se ocupa fundamentalmente com a origem do mundo e as causas das transformações na Natureza. Principais filósofos pré-socráticos: Tales de Mileto, Heráclito de Éfeso, Pitágoras de Samos Paramênides de Eléia Anaxágoras de Clazômena, Demócrito de Abdera, entre outros.
  2. Período socrático ou antropológico, do final do século V e todo o século IV a.C. , quando a Filosofia investiga as questões humanas , isto é, a ética a política e as técnicas (em grego, ântropos quer dizer homem; por isso o período recebeu o nome de antropológico). Surge nesse período a figura política do CidadãoPrincipais filósofos desse período: os sofistas (mestre de oratória ou de persuasão); Protágoras de Abdera, Isócrates de Atenas e Górgias de Leontini. O filósofo Sócrates, considerado o patrono da Filosofia, rebelou-se contra os sofistas, dizendo que não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, defendendo qualquer idéia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valer tanto quanto a verdade.Propunha que, antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria ,primeiro e antes de tudo,conhecer-se a si mesmo; “Conhece a ti mesmo” , tornou-se a divisa de Sócrates.O retrato que a história da Filosofia tem de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo ,o filósofo ateniense Platão.
  3.  Período sistemático, do final do século IV ao final do século III a.C. , quando a Filosofia busca reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado sobre a cosmologia e a antropologia , interessando-se, sobretudo, em mostrar que tudo pode ser objeto do conhecimento filosófico, desde que as leis do pensamento e de suas demonstrações estejam firmemente estabelecidas para oferecer os critérios da verdade e da ciência. Esse período tem como principal nome o filósofo Aristóteles de Estagira, discípulo de Platão.
  4. Período helenístico ou grego-romano, do final do século III a.C. até o século VI depois de Cristo. Nesse longo período que já alcança Roma e o pensamento dos primeiros padres da Igreja, a Filosofia se ocupa,  sobretudo,  com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações entre o homem e a Natureza e de ambos com Deus.Datam desse período quatro grandes sistemas cuja influência será sentida pelo pensamento cristão , que começa a formar-se nessa época : estoicismo, epicurismo, ceticismo e neoplatonismo.


A filosofia para Aristóteles

Encontra seu ponto mais alto na metafísica e na teologia, de onde derivam todos os outros conhecimentos.
Aristóteles afirma que antes de um conhecimento constituir seu objetivo e seu campo próprios, seus procedimentos próprios de aquisição e exposição, de demonstração e de prova, deve, primeiro, conhecer as leis gerais que governam o pensamento, independentemente do conteúdo que possa vir e ter.
O estudo das formas gerais do pensamento, sem preocupação com seu conteúdo, chama-se lógica, e Aristóteles foi o criador da lógica como instrumento do conhecimento em qualquer campo do saber.
A partir da classificação Aristotélica, definiu-se, no correr dos séculos, o grande campo da investigação filosófica, campo que só seria desfeito no século XIX de nossa era, quando as ciências particulares se  foram  separando do tronco geral da Filosofia.



                                               Fonte : Marilena Chauí – Professora doutora em Filosofia pela USP









                 

 
















Cosmogonia ¹ - A origem ou formação do mundo, do universo conhecido. Narrativa ou doutrina sobre  a origem do mundo ou do universo.